Pe. Cláudio Weronig

 

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O Venerável Padre Lanteri
ADOLESCÊNCIA E VOCAÇÃO

Pio Bruno possuía uma memória fiel e tenaz, tendo suas tarefas diárias bem distribuídas e divididas entre a piedade e a ciência. Por um lado, dedicava se aos estudos sob a direção paterna, refletindo com ele sobre autores e obras diversas, inclusive durante as refeições, além de alcançar um notável progresso em matemática; por outro, quando se encontrava em oração ou na Igreja, sobretudo para a Santa Missa, seja assistindo, seja servindo, mostrava um recolhimento angélico. Com esta piedade particular, em 28 de novembro de 1772, na idade de treze anos, recebeu o sacramento da Confirmação.

Alcançada a idade dos dezessete anos, o problema do futuro apareceu com força e, então, disposto a fazer em tudo a divina vontade, aproximou-se com mais frequência dos Sacramentos, buscou rezar mais e manteve contínuos os colóquios com o seu diretor espiritual.

Decidiu-se, por fim, de ingressar na Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno, e que possuía um mosteiro nos entornos de sua cidade natal. No entanto, já na primeiras experiências de adaptação tomou consciência de que não conseguiria seguir aquelas regras tão austeras. Ao impulso da alma, não correspondiam as forças do corpo: jovem de complexão franzina e respiração fraca, não resistia às vigílias da noite, ao canto grave dos salmos e ao jejum quase perpétuo. Precisou, portanto, renunciar ao seu sonho e deixar a Cartuxa, sem nem ao menos ter podido usar as austeras vestimentas. Mas, da breve permanência que aí fez, levou não somente uma veneração particular por aqueles solitários penitentes, mas também a especial formação de austera vida interior que foi a sua mais marcante característica.

Retornando à casa paterna, Pio Bruno novamente ocupou seus dias entre estudo e oração, mas, no meio tempo, foi acometido de um mal de olhos tão obstinado que o obrigou a desistir de qualquer ocupação séria. Nesta situação, porém, Deus falou ao seu coração e o inspirou para que se tornasse sacerdote. Mais sereno a respeito, despojou-se de qualquer outro pensamento e, acolhido pelo Bispo da Diocese de Mondoví à qual pertencia Cúneo, vestiu o hábito sagrado em 17 de setembro de 1777.

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