Pe. Cláudio Weronig

 

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O Venerável Padre Lanteri
A MORTE

Os intensos cansaços dos três anos que Padre Pio Bruno passou em Pinerolo acabaram por desgastar a sua precária saúde. Nos primeiros meses de 1830, à opressão de peito, à asma, aos frequentes problemas de estômago, a uma dor de olhos que o tornava quase cego, juntaram-se gradativamente outros males que possibilitaram a ele a oportunidade de acrescentar aos muitos exemplos de virtude, já dados aos seus filhos, mais este de lento martírio suportado santamente com uma verdadeira efusão de fé e caridade.

Fiel à observância das regras e da vida comum, mesmo que muito fraco, nunca deixou de cumpri-las até que pôde, e quando foi obrigado a ficar na cama, não podendo ele próprio ler, para a meditação, as leituras espirituais, as visitas ao Santíssimo e a récita do Rosário, pedia ajuda a um dos Oblatos.

Afinal, a sua vida era uma contínua oração. Do seu quarto, por meio de uma janela que fizera abrir na parede, olhando na capela interna ao lado, detinha-se em preces, em lagrimas, em continuo colóquio com Jesus Sacramentado. Repetia especialmente, com frequência e energia, a sua jaculatória mais familiar: “Bom Jesus! Tenho sede de ti”. Quando não podia falar e a sua visão estava quase completamente enfraquecida, Padre Lanteri colocava os óculos e continuava a olhar em direção ao Tabernáculo, mantendo com Jesus um mútuo colóquio de olhares e de amor.

Após os entretenimentos eucarísticos, ele começava outros com Maria Santíssima, a chamava de sua Senhora, sua Mãe, o seu Paraíso. Por algumas palavras que deixava escapar, por certas perguntas repentinas, parece que ele tenha sido repetidamente consolado pela visível presença de Maria, dizendo muitas vezes: “Eu tenho uma bela Senhora com um belo Menino no colo que nunca me deixa sozinho”. E dizia aos seus filhos: “Não, eu não sou o fundador da Congregação, a Fundadora e Mãe é Maria Santíssima, Ela a governará como sempre a governou”.

Até que não lhe faltaram as forças, celebrou todos os dias o Santo Sacrifício. A última vez foi no dia de S. José. Padre Lanteri tinha dito: “Eu espero poder ainda celebrar o dia 19 de março”. Realmente começou a Missa até o Evangelho, a este ponto, pela fraqueza, foi obrigado a sentar e descansar um pouco, mas logo que readquiriu as forças, prosseguiu até o fim. E disse ao irmão Pietro: “S. José concedeu-me a graça que tanto desejava”.

Quando não pode mais celebrar, comungava todos os dias, assistindo à missa que algum dos Oblatos celebrava. Por delicadeza de consciência, costumava se confessar todos os dias.

Era o dia 5 de agosto de 1830, aproximadamente oito horas da manhã, Padre Lanteri agonizava e, com o braço sustentado por um dos padres, abençoou todos os presentes. As suas últimas palavras foram estas: “Amem-se, amem-se muito uns aos outros e estejam sempre unidos de coração custe o que custar”. Enquanto se liam as preces para os agonizantes, ao trecho do Evangelho de São João: “Pai Santo, cuida em Teu nome daqueles que me deu, porque sejam como nós uma coisa só”, o venerável ancião lançou um olhar ardente ao Tabernáculo, e com doce sorriso, sem nenhum outro sinal do seu fim, suavemente expirou.

O Papa Paulo VI, em 1975, reconhecendo as virtudes do Padre Pio Bruno Lanteri declarou-o Venerável.
 

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