Pe. Cláudio Weronig

 

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O Venerável Padre Lanteri
O MINISTÉRIO SACERDOTAL

PRIMEIRO PERÍODO: APOSTOLADO

Tendo falecido o pai, Dr. Pietro Lanteri, alguns meses após sua ordenação presbiteral, e já despontando para a Igreja os desafios da Revolução Francesa, começaram a surgir diversas obras contra a fé, de conteúdo jansenista, que paralisavam cada vez mais o zelo do clero e a formação sadia e religiosa do povo, encaminhando ambos a uma crescente indiferença e decadência moral.

Padre Lanteri, então, prosseguiu com dinamismo as obras das “Amizades Cristãs”, fundadas pelo Padre Diessbach, cujo fim era o de “aspirar em fazer o maior bem possível e impedir todo o mal que possa chegar ao nosso conhecimento, utilizando todos os meios à disposição, e isto pelo mundo todo”, buscando divulgar bons livros em defesa da fé.

Incentivou, também, os grupos da “Amizade Sacerdotal” que buscava, entre outras coisas, professar uma perfeita conformidade de sentimentos com a Igreja e sobretudo um inviolável apego ao Sumo Pontífice; estar em condições de poder combater os erros atuais através do estudo dos melhores livros em cada ramo das ciências sagradas; e, usar das Missões e dos Exercícios Espirituais como meios de apostolado. Grandes nomes desta Amizade Sacerdotal são: S. José Benedito Cottolengo, S. João Bosco e S. José Cafasso.

A espiritualidade que norteava o padre Lanteri e, com ele, estes grupos, era a dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, e que Padre Diessbach incutiu em seu coração quando ainda era seminarista, considerando-os “um instrumento poderosíssimo da graça divina e um método seguro de tornar-se santo e grande santo”.

Padre Lanteri, além destes empenhos, se dedicou a combater os erros correntes do jansenismo, especialmente na formação dos jovens, sejam eles estudantes, alistados em quartéis, limpadores de chaminés ou encarcerados, escrevendo e divulgando uma série de variadas dissertações sobre as mais discutidas matérias teológicas e jurídicas, enriquecida com uma significativa referência bibliográfica, que aprofundasse em seus corações a sã doutrina, o amor por Jesus Cristo, que sempre os amou primeiro.

Por fim, cabe dizer que Padre Lanteri se tornou um renomado diretor espiritual e um grande confessor, organizando seus dias de modo que em algumas igrejas de Turim, uma vez a cada semana, pudesse dispor-se ao sacramento da Reconciliação, quando, voltado para a moral de Santo Afonso Maria de Ligório, revelava aos seus penitentes a face misericordiosa de Deus, em oposição ao rigorismo jansenista.


SEGUNDO PERÍODO: EM DEFESA DO PAPA

O Papa Pio VI, humilhado pelo clamor revolucionário, morria de maus tratos no exílio de Valença. Pio VII, no início recoberto de honras por Napoleão foi, depois, acometido de toda amargura logo que precisou começar a opor-se às suas prepotentes pretensões. Despido aos poucos dos seus Territórios, privado um a um dos apoios de todos os seus cardeais dispersos, arrastado de prisão em prisão, foi finalmente confinado, como em um duro calvário, no exílio e na solidão de Fontainebleau. Diante disso, Padre Lanteri não se calou. Reuniu em uma secreta Comissão de socorro os mais ardentes e abastados entre os seus discípulos para socorrer material e moralmente o Pontífice.

Para ele o Papa era “a roda mestra da Igreja”, “o regente de uma orquestra”, “o sol do cristianismo”. Possuidor de um caráter doce e pacato, se inflamava ao ouvir irreverências ou desrespeitos com relação ao Papa. O amor e a lealdade ao Papa foram sempre os temas preferidos em suas ardentes exortações às “Amizades” e em todo o ministério de ação. Dizia sempre: “trata-se do Papa, trata-se da unidade, do centro e do fundamento da fé, não podemos e não devemos silenciar”.ont>

As angústias morais do Pontífice eram maiores que as angústias materiais. Em sua solidão, durante a luta com Napoleão que pretendia o direito da instituição canônica dos bispos, Pio VII teria necessidade dos Atos do Concílio Ecumênico de Lion, os mais apropriados e suficientes para demonstrar a inutilidade das absurdas pretensões imperiais, mas todos aqueles, que enviassem ao Papa, livros ou escritos sem que passassem pela censura imperial, eram ameaçados de morte ou deportação. Padre Lanteri, após transcrever os atos do Concílio, através de um generoso penitente, obtida uma audiência com o Santo Padre prisioneiro, ao dobrar-se para o beijo do pé, habilmente escondeu os escritos por entre as dobras das suas vestimentas. Assim, o Papa conseguiu frustrar os planos de Napoleão.

Por conta disso, a polícia imperial, suspeitando de padre Lanteri, passa em revista, sem sucesso, a sua casa, mas, com o intuito de silencia-lo, sentencia-o ao exílio em uma sua casa de campo chamada “Granja”. Ele, sereno e tranquilo, satisfeito, aliás, de ter sido condenado por uma causa tão santa, após organizar da melhor forma as suas coisas, despediu-se dos amigos e em 25 de março de 1811 partiu para o lugar do seu confinamento.

Os três anos de confinamento na “Granja” lhe revigoraram a saúde, e então, dedicou-se à oração, ao estudo da Sagrada Escritura e das obras de Santo Tomás de Aquino e São Boaventura, e à pregação dos Exercícios Espirituais para os Amigos que vinham visita-lo e tinham a possibilidade de se hospedarem em sua propriedade. Com isso, pode se afirmar que Padre Lanteri não interrompeu totalmente o seu trabalho de incentivo aos bons e de luta pela causa católica. Seja como for, um de seus textos entregue em um retiro dos Amigos na Granja e divulgado por ordem dele em Turim, fez com que sofresse uma nova e minuciosa revista por parte de comissários, novamente sem sucesso.

Com a queda de Napoleão em 1814, assim como o Papa Pio VII pode retornar a Roma, Padre Lanteri viu-se livre para voltar a Turim.


TERCEIRO PERÍODO: A CONGREGAÇÃO

Padre Lanteri, de volta a Turim, buscou reavivar os grupos das Amizades, retomando passo a passo um novo impulso de divulgação dos bons livros.

Aconteceu, então, que o padre Giovanni Reynaudi, reunido com mais dois sacerdotes na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Carignano, próximo a Turim, procurou padre Lanteri para ajudá-lo a discernir se era realmente vontade de Deus a obra que buscavam realizar de renovação dos fiéis após as contrariedades da era napoleônica. Padre Lanteri mostrou-lhe que compartilhava dos mesmos anseios e para todo o Piemonte: destacou a arte maravilhosa dos exercícios e a força invencível que deles provinha; a nobreza e a urgência do ministério das missões populares para ressuscitar os pequenos povoados e as cidades a um novo espírito cristão; a necessidade de estudar os erros da época para podê-los combater; fazia-lhe relevar toda a grandeza do consagrar-se ao aperfeiçoamento dos estudos, da piedade do jovem clero, da defesa do Romano Pontífice e dos princípios católicos; o alastrar-se dos livros maléficos e a urgente necessidade de contrapor a esta nova peste da época uma imprensa que iluminasse o povo e o preservasse das falsas seduções da impiedade. Destas maneira, voltaram-se para eguindo uma forma de vida apostólica seria possível fazer surgir uma nova Congregação, que mesmo contendo em si a perfeição e o fervor das religiões mais consideradas e mais úteis à Igreja, fosse regida por uma regra que não tivesse nada de exterior.

Na oração surgiu o chamado para uma nova Congregação religiosa, e então os dois grupos, o de padre Reynaudi em Carignano, e o de padre Lanteri em Turim, se uniram naquele primeiro lugar. Uma primeira experiência em 1816, com pregações dos exercícios espirituais e missões foram bastante louvadas, mas, diante da não aceitação do novo Arcebispo de Turim e aprovar a Congregação nascente, os seus membros resolveram esperar um momento mais adequado. Então, Dom Rey escreveu a Padre Lanteri uma carta muito carinhosa para convidá-lo a Pinerolo e assegurar-lhe que apressava o momento de tê-lo com os seus Oblatos junto a si. Aceita a proposta e acolhidos pelo insigne Bispo, depois de um bom tempo de adaptação e missão na Diocese, Padre Lanteri foi a Roma e obteve a aprovação da Congregação dos Oblatos de Maria Virgem, pelo Papa Leão XII, em 1º de setembro de 1826. Os quatro objetivos do Instituto deviam ser: a formação superior do clero; as missões e os exercícios espirituais para o povo e para cada classe de pessoas; a divulgação dos bons livros; e, a luta contra os erros correntes.

No dia 7 de julho de 1827, os Oblatos finalmente tomavam posse da Casa e Igreja de Santa Clara em Pinerolo, completamente reformadas às custas de Bruno. No mesmo dia ocorreu a instalação canônica do Instituto e a bênção da Igreja. Desta forma os Oblatos retomaram com plena eficiência o próprio apostolado.
 

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